Yasuko carrega o pequeno Kouta que está mamando em seu peito :
- Sabe uma coisa que me epantou logo que cheguei nos Estados Unidos? A cor da comida. Nunca tinha visto nada assim, rosa chocante, azulão. - dá uma risadinha e continua- o cocô do Keito- o outro filho- sai colorido.
O bebê Kouta pára de mamar e pega a maçã do prato da mãe.
- Hã, dababa...- diz enquanto tenta colocar a fruta inteira na boca miúda.
- Que língua será que ele vai falar?
- Acho que inglês. Os irmãos só falam com ele em inglês. - Yasuko dá um gole no chá e continua- Meu marido não quer mais voltar pro Japão.
- E você?
- Se eu conseguir tirar minha licença para trabalhar como médica aqui, tudo bem, embora seja difícil começar tudo de novo. A Maki e o Keito gostam mais daqui também. Sabe, Tókio é muito competitivo. As crianças começam a ser alfabetizadas aos três anos. Os professores lá são muito bravos. E tem mais, é muito caro para morar, paga-se uma fortuna para morar mal.
O menino escuta tudo com a maça na mão até que consegue dar umas mordiscadas.
- Mas acostumar com a comida aqui não é mole. No Japão tá cheio de McDonald's também, mas tem nutricionista nas escolas que planejam as refeições. Tem sempre vegetal, carne e arroz. Aqui é pizza, hamburger e batata frita.
De repente o pequeno arregalou os olhos, abriu a boca, tentou tossir, e o rosto completamente vermelho. Tinha um pedaço da casca da maça entalada na sua garganta. Yasuko lidava de maneira oriental com a morte iminente do próprio filho enquanto eu me continha para não berrar, dar tapas fortes nas costas de Kouta e ligar para o 911.
- É, nada como uma maçãzinha bem natural- brinquei assim que Kouta voltou a rir.
- Melhor eu mesma comer logo esta maça- disse Yasuko.
Enquanto comia, continuou:
- Sabe uma coisa que me epantou logo que cheguei nos Estados Unidos? A cor da comida. Nunca tinha visto nada assim, rosa chocante, azulão. - dá uma risadinha e continua- o cocô do Keito- o outro filho- sai colorido.
O bebê Kouta pára de mamar e pega a maçã do prato da mãe.
- Hã, dababa...- diz enquanto tenta colocar a fruta inteira na boca miúda.
- Que língua será que ele vai falar?
- Acho que inglês. Os irmãos só falam com ele em inglês. - Yasuko dá um gole no chá e continua- Meu marido não quer mais voltar pro Japão.
- E você?
- Se eu conseguir tirar minha licença para trabalhar como médica aqui, tudo bem, embora seja difícil começar tudo de novo. A Maki e o Keito gostam mais daqui também. Sabe, Tókio é muito competitivo. As crianças começam a ser alfabetizadas aos três anos. Os professores lá são muito bravos. E tem mais, é muito caro para morar, paga-se uma fortuna para morar mal.
O menino escuta tudo com a maça na mão até que consegue dar umas mordiscadas.
- Mas acostumar com a comida aqui não é mole. No Japão tá cheio de McDonald's também, mas tem nutricionista nas escolas que planejam as refeições. Tem sempre vegetal, carne e arroz. Aqui é pizza, hamburger e batata frita.
De repente o pequeno arregalou os olhos, abriu a boca, tentou tossir, e o rosto completamente vermelho. Tinha um pedaço da casca da maça entalada na sua garganta. Yasuko lidava de maneira oriental com a morte iminente do próprio filho enquanto eu me continha para não berrar, dar tapas fortes nas costas de Kouta e ligar para o 911.
- É, nada como uma maçãzinha bem natural- brinquei assim que Kouta voltou a rir.
- Melhor eu mesma comer logo esta maça- disse Yasuko.
Enquanto comia, continuou:
-No Japão se você diz que vai ligar e não liga, é algo imperdoável. Aqui a gente diz ' te ligo na quarta' , só uma semana depois o telefone toca. Eu prefiro assim, mais relax. Credo, somos um povo muito contido. Pra você ter uma idéia, missa no Japão é tudo baixinho. Já os coreanos gritam ' DEUS' e choram, choram muito durante toda a cerimônia.
O bebê estava entretido espiando um esquilo que olhava da janela.
-Nossa, tá tarde, preciso ir.
-Pro Japão?
-Não, buscar a Maki.
Mais uma família que veio para passar só um tempo na América, mas certamente, ficará uma vida.
O bebê estava entretido espiando um esquilo que olhava da janela.
-Nossa, tá tarde, preciso ir.
-Pro Japão?
-Não, buscar a Maki.
Mais uma família que veio para passar só um tempo na América, mas certamente, ficará uma vida.
9 comentários:
As pessoas vão para os EUA para passar um tempo e não voltam, já ouvi isso. Mas e vocês? Voltam ou ficam na America?
P. A.
Adriana, nem brinca! Voltem logo, chega de América. Venha escrever um Perdida no Brasil perto da gente.
bjs
Ana
Driii!
Meu blog finalmente tomou forma e te adicionei por lá.
Quase não comento mas leio tuuudo.
Bjs e saudades.
Muito engraçado a reação sua e da Yasuko para o engasgo do bebê. Nota-se a diferença entre a cultura oriental e ocidental.
Abraço
Fernando
E vc? Vai voltar mesmo? Ou vai ceder ao apelo das crianças e ficar por aí?
P.A. e Ana, já comecei a sonhar com nossa volta ao Brasil. Fácil não vai ser, mas em dezembro estaremos aí, com certeza.
Lu amada, bom saber de vc e do sucesso que anda fazendo com suas fotos.
Fernando, quem sabe eu aprenda com minha vizinha a calma oriental, nem que seja por osmose.
Tati, adorei achar vc por aqui novamente. Não cederei aos apelos das filhas, mas não vai ser mole.
bj grande
Adriana
Ai Dri! Que linda! Estou lá na seleta lista "dos que valem a pena"!!!!! Saudadesss.
Dri,
A permanência de vocês ai no EUA está simplesmente fora de cogitação!!!! Não sabia que você tinha voltado a escrever no blog!!!
Beijos
Rosa
Rosa,
Se as meninas empacarem na hora do embarque de volta para o Brasil, vc corre me ajudar. Ai que saudades das nossas xingus!
bj
dri
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